De Craça
Saichu, o Japonês satânico tinha me ligado sábado a noite umas 7 vezes, eu não atendi por que sabia que se ele viesse em casa só iria sair meia noite aos empurrões. Saichu é um cara legal, e até que tem um bom gosto em musica, apesar de só ouvir Gotich Metal e Heavy, mas o que chama a atenção dele, além dele ser bombado, é seu inovador sotaque britânico; deixa que eu explico. Saichu costuma trocar algumas letras e as mais notáveis são o ‘T’ pelo ‘B’ e vice-versa.
Exemplo:
“Oi Luke, Tuto Pom com Focê?”
Isso com certeza é motivo de muitas risadas entre a turma, mas ele já não liga.
Domingo de manha, mesmo eu tentando dar um sumido ele apareceu em casa eu desliguei o celular e em seguida escondi pra ter uma boa justificativa pra não ter atendido. Eu já estava acordado, mas fingi voltar a dormir pra ver se me safava da situação, mas ele insistiu e entrou me ‘acordando’.
- Porra Luke, pra que focê tem celular se não atende?
-Focê me ligou cara?- disse eu tirando já um barato com ele, pra ver se ele esquecia do celular, e talvez ficasse puto e fosse embora.
-Filho da Puta, pare de me soar!- dizia Saichu, sem conseguir evitar o próprio sotaque.
-Tuto Pem, eu paro de te zoar!- não podia deixar de provocar meu amigo.-Mas, afinal de contas, o que você queria?
-Cara, ‘fai” ter show do Cachorro Grande na virada cultural, lá na Republica! ‘Famos’??’- disse ele empolgado.
-E que horas começa?- perguntei meio desanimado.
-‘Meio-tia’.
-Pow, que horas são agora?- perguntei assustado, afinal pra chegar até lá é um bom caminho, e eu sequer estava arrumado.
-‘Once horas acora’.- uma hora faltava pra começar e ele foi me chamar, naquilo desanimei de vez.
-Sei não cara, eu nem curto muito cachorro grande e ta em cima da hor...- mal eu terminei a frase e Saichu já puxou seu Ás na manga, sua cartada final.
-O Show é de ‘Craça’...-e abriu um largo sorriso, o safado sabia que eu não sou de fugir de algo grátis, mas eu definitivamente não estava afim de ir.
-Mesmo assim, nem vamos chegar a tempo.
-‘De Craça!’- o maldito sabia meu ponto fraco, e continuava a mexer com ele, mas daquela vez eu não iria me render, mas eu definitivamente precisava de uma estratégia pra convencê-lo e ir sem mim, não demorou muito pras idéias fluírem, e eu logo usei minha estratégia básica.
-Faz assim, sobe pra sua casa e se arruma, ai eu te ligo e aviso se vou!
-‘Firmesa, mas é pra licar!!”
-Pode deixar que eu ligo.- assim Saichu se foi, não acredito que ele caiu nessa, eu sempre falo e sempre funciona, mas pra garantir, logo depois que ele cruzou a esquina eu fui pro bar, pra ter certeza que quando ele voltasse eu estaria longe e bêbado, e caso ele me encontrasse, eu não iria lembrar metade do que ele disse.
Marcadores: Desventuras


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial